Ministros e representantes de Brasil e Estados Unidos devem se reunir na próxima semana para retomar a negociação comercial entre os dois países, com participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da equipe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.
A data do encontro será definida pelas equipes dos governos brasileiro e norte-americano, após contato confirmado entre o Mdic e Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, sequência à ligação entre os presidentes na sexta-feira (21).
Pontos de impasse e agenda
O avanço das tratativas surge em meio à disputa gerada por tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, tema que esteve no centro da conversa entre os chefes de Estado. Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para as medidas estão preocupações relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.
Lula defendeu a retomada das negociações e declarou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as novas tarifas são infundadas, sustentando a necessidade do diálogo para preservar os vínculos comerciais.
Em nota conjunta, o Mdic e o MRE avaliaram que a sinalização feita pelos dois presidentes abre uma nova oportunidade para buscar uma solução negociada ao impasse comercial, com interlocução direta entre as equipes técnicas.
Segurança, cooperação policial e temas internacionais
Além das questões comerciais, a ligação entre Lula e Trump abordou segurança e cooperação no combate ao crime organizado, com o presidente brasileiro defendendo uma atuação conjunta das autoridades dos dois países e ressaltando que organizações criminosas exercem pressão sobre populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a organizações terroristas.
O presidente apresentou medidas adotadas pelo Brasil para enfrentar essas estruturas, incluindo ações de asfixia financeira que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões, e citou iniciativas como a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Trump manifestou disposição para ampliar a cooperação e apontou que indicará integrantes de alto escalão para dar continuidade às tratativas.
Os dois líderes também trataram de conflitos internacionais, entre eles a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, e defenderam a busca por soluções negociadas. Em relação ao Conselho de Segurança das Nações Unidas o presidente brasileiro criticou a falta de atuação diante de crises e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.
Ao abordar a necessidade de se priorizar a diplomacia, o presidente brasileiro afirmou “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos” e conectou essa visão à defesa de caminhos políticos para a resolução de confrontos, com menção também às perspectivas apresentadas pelo governo norte-americano sobre o Irã.